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  • Foto do escritorDuarte Dionísio

Omitir - “Ode”

Atualizado: 28 de jan. de 2021

Agro Metal Português

Omitir - “Ode”

Lançamento: 2020

Sonoridade: Black Metal, Ambient/Folk/Atmospheric Black Metal

Editora: Loudriver Records, LD004

Produção: Gróvio

Capa: José Vital Branco Malhoa (1855-1933)

Formato: CD (audição em streaming)

Lista de músicas:

1 - Ceiva

2 - Nabia

3 - Cear

4 - Flora

5 - Vera Busca

6 - Âmago

Já referi anteriormente e reforço que sempre imaginei possível a junção de Heavy Metal e os seus subgéneros, com a tradição portuguesa. Esse cruzamento, se bem conseguido, poderia funcionar como um despoletar de sonoridades originais. Portugal tem uma longa história. A dimensão antropológica e social de um país como o nosso oferece uma diversidade de conceitos que potencia a descoberta de deliciosas pérolas artísticas. É possível encontrar inspiração nas diferentes dimensões, quer sejam religiosas, pagãs, económicas, sociais, políticas, artísticas e outras. É isso que Gróvio consegue com o álbum de 2020 “Ode”. Por um lado utiliza a estética Black Metal para criar a profundidade e o mistério, por outro utiliza o sofrimento de um povo em época de ditadura. Mistura tradições pagãs, algum instrumental folk rural e dá voz sussurada a histórias contadas com perspetiva pessoal. Claro que é possível identificar algumas semelhanças com outras propostas artísticas que utilizaram o mesmo conceito de cruzamento entre música e história. Bathory, Burzum só para citar dois exemplos que têm criações algo Folk, Ambient, Atmospheric BlacK Metal. Mas o projeto Omitir é Português e essa Portugalidade fica patente logo na capa do álbum, que apresenta uma pintura de José Malhoa “O Sétimo Mandamento”. A constatação lógica é que Gróvio logrou criar uma ode à história Portuguesa utilizando apenas inspiração e uma pitada do som das Trevas. É fácil imaginar que muitos Portugueses viveram nas Trevas durante muito tempo, por isso a conjugação resulta na perfeição.

“Ode” tem apenas seis músicas e entre elas há uma (“Flora”) com ritmo mais acelerado, embora o tema de abertura “Ceiva”, também tenha um tempo algo rápido. As restantes misturam a repetição rápida de acordes com uma batida insistente, muito típica do Black Metal e a voz entre o sussurro e a profundidade cavernosa. A componente folk é fruto da introdução de acordeão em alguns momentos, o que complementa o ambiente rural e tradicional, ou no instrumental “Cear”, com notas soltas de guitarra acústica. Depois podemos ouvir diversos sons naturais como: chuva, lareiras, rebanhos de cabras ou ovelhas com os seus badalos a tilintar, galinhas a cacarejar e ainda atmosferas mais obscuras, como no tema final “Âmago”. Há ainda um discurso de Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP, sobre a história da Reforma Agrária no tema “Vera Busca”.

O Black Metal tem sido um dos subgéneros do Heavy Metal que mais abrangência estilistica permite. Quase como um género autónomo que procria e alimenta diferentes descendentes. Omitir aproveita esse alcance para introduzir o folcrore Português e pentear as franjas do estilo. “Ode” é um álbum de descoberta histórica. Ouvi-lo apenas num contexto musical pode ser enganador. Recomenda-se a audição repetida para entender toda a intenção de Gróvio.


Foto: Emanuel Ferreira

Músico:

Gróvio – Voz e todos os instrumentos


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