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  • Foto do escritorDuarte Dionísio

Miss Cadaver - “Manifestvm Raivus”

Atualizado: 28 de jan. de 2021

Palavras de ordem na ordem do dia

Miss Cadaver - “Manifestvm Raivus”

Lançamento: 2017

Sonoridade: Thrash Metal, Hardcore, Crossover

Editora: NBQR Records, NBQR009; Firecum Records, CUM011; Secret Port Records, SPR0044; CD 2017

Produção: Helder Rodrigues e Rui Vieira

Capa: André Coelho

Formato: CD


Lista de músicas:

1 - Carrascos de Serviço

2 - Deus Castiga

3 - Conformados

4 - Cão Raivosa

5 - FFF

6 - Esperança Mutilada

7 - Cultura do Medo

8 - Guerreiro do Asfalto

9 - Narcopunk

10 - Morto

11 - Ribas

12 - Solução

13 - Parasitas


CD em cima da secretária à espera de ser ouvido. Chego a casa, ligo o computador, resolvo alguns assuntos pendentes. Pego no CD, vou à sala ao lado, ligo o leitor de CD, abro a gaveta, coloco o CD, fecho a gaveta. Sento-me, aumento o volume e aguardo o que Miss Cadaver têm para oferecer no álbum “Manifestvm Raivus”. Logo a abrir percebo que afinal nem sequer sabem tocar um simples instrumento! Um violino que mais parece um serrote enferrujado. Ou talvez seja apenas um arranhar de cordas mal afinadas. Depois lá vem música! 1, 2, 3,… temas de hardcore ou um Crossover entre Punk, Rock, Metal. Palhetada livre e paulada na tarola e ‘tá feito. Músicas apressadas de acordes simples, a debitar energia contida, com mensagem proletária, panfletária de cariz revolucionário e anarquista. Penso que tem pouco sumo e que é um pouco repetitivo. Vale o facto de as músicas passarem depressa – “se queres ouvir virtuosismos ou progressivo, vai à estante e tira um álbum de Yngwie Malmsteen ou um álbum de King Crimson” – penso para mim mesmo. Música 7 - “Cultura do Medo”. Humm! Esta tem mais de 4 minutos e o riff é mais aberto e Thrash, com um tempo mais condescendido. Lembro-me de Bizarra Locomotiva, principalmente a repetição do verso Cultura do Medo. “Guerreiro do Asfalto” surge com sons de ambiente exterior, uma criança parece falar. Lembra-me “Last Child” dos Ramp. Um acorde vanguardista quebra por completo a hegemonia da parede saturada das guitarras distorcidas. Lembro-me de novo de Bizarra, talvez por causa da batida sincopada, mas também Mão Morta me assola o pensamento. “Morto” faz-me lembrar a série televisiva Bonanza, algo do género Western Metal, com cowboys a cavalgar as suas montadas. Juro que não bebi álcool durante todo o dia, nem consumi qualquer substância psicotrópica! Talvez não perceba nada disto e estou a inventar palavras. Segue-se uma homenagem ao Ribas depois da marcha fúnebre!... Grande Ribas, um Punk dos bons, uma figura e tanto. “Solução” troca as voltas e avança com um registo vocal diferente. Algo mais cantado, mais emocional, sem cuspir palavras de raiva. Lembro-me de Alcoolémia, a voz faz-me lembrar o Jorge “Canina”. Esta música tem um solo de guitarra que me traz à memória os Flotsam & Jetsam no instrumental “Flotzilla”! Digo para mim mesmo – “vai apanhar ar e ouve o CD de início”.

Ouvi o CD várias vezes e com o volume ainda mais alto. A produção, mistura e masterização permitem a audição a puxar pelos decibéis, porque é poderosa. Fico espantado como dois tipos conseguem tamanha parede sonora em Arruda dos Vinhos! Diga-se a verdade, a localização nada tem a ver com a técnica, equipamento, software e conhecimento utilizados. “Manifestvm Raivus” tem muito mais para oferecer do que parece à primeira vista (audição). Tem diversidade e uma carga ideológica objetiva. Ouvir cantar as letras em Português incomoda, principalmente quando a mensagem é incisiva. As palavras sem censura podem ferir sensibilidades, quando dizem a verdade. São escoradas por um som agressivo, que sendo Punk na essência, assume roupagens Metal com uma afinação de guitarra mais baixa. O resultado é um Crossover “pesadão”, entre o Thrash Metal e o Hardcore. Não tem sumo, tem molho e condimentado, é adstringente, causa um aperto no âmago das entranhas. Apanhar ar faz falta quando nos atingem com um murro. Ficamos de cara à banda. Por falar em cara, o álbum muda de feição quando o cão ladra e “FFF” desmonta a triologia que tolda a mente de um país. Destaco “Cultura Do Medo”, “Guerreiro Do Asfalto”, “FFF” e “Parasitas”. No entanto, penso que devo ouvir melhor e parar com a Nostalgia que me trouxe tantas lembranças ao ouvir este álbum. A idade não perdoa!

Fotos: Diana Fernandes

Músicos (da direita para a esquerda)

Rui Vieira - Voz, Guitarra e Baixo

Helder Rodrigues - Bateria


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