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  • Foto do escritorDuarte Dionísio

Gangrena – “Infected Ideologies“

Expor as feridas da sociedade infetada

Gangrena – “Infected Ideologies"

Lançamento: 1994

Sonoridade: Death Metal

Editora: MTM, MTM009CD

Produção: Luis Barros e Gangrena

Capa: Jorge Marques

Formato: CD


Lista de músicas:

1 - Intro/The Honour of a Nation

2 - Pronounced Death

3 - Total War

4 - Hard Attack

5 - God's Will

6 - Nuclear Blast

7 - Infected Ideologies

8 - Outro


Penso não estar enganado se afirmar que “Infected Ideologies” dos Gangrena é o álbum, em CD, mais valioso do Heavy Metal Português. O motivo pelo qual isso acontece não sei explicar, mas é um facto. O colecionismo de edições em vinil, CD e cassete atingiu níveis impressionantes. O que levou a transações simplesmente impensáveis, com valores astronómicos. Há por exemplo edições limitadas e relativamente antigas de bandas de Black Metal Nórdico a atingir valores na ordem dos muitos milhares de Euros. O CD dos Gangrena, o único lançado pela banda dos Carvalhos (Vila Nova de Gaia), através da MTM em 1994, já foi vendido acima dos mil dólares (1 109,92 USD), segundo dados de alguns sites. No momento em que escrevo este artigo, está uma cópia à venda no site Discogs por 1 299,99 USD. Há também a indicação do valor máximo de uma cópia já vendida por 790,00 €. Enfim! A importância desta questão é discutível. A verdade é que “Infected Ideologies” é um álbum estimulante, tendo em conta a época e o país em que foi editado. Surgiu no início da avalanche das editoras independentes e consequentes edições em CD, de bandas de Metal nacional, como já referi diversas vezes. No caso dos Gangrena, bastaram alguns meses de existência, uma demo, três dias de estúdio com Luis Barros aos comandos das mesas do Rec’n’Roll e estava consumado o primeiro e único álbum.


Os Grangrena compuseram e tocaram um Death Metal arrastado, denso, na linha de bandas como Obituary, Bolt Thrower, Six Feet Under. Atiraram para a ferida musical uns riffs Thrash Metal e umas bactérias do Heavy Metal, infetando ainda mais a escoriação, como exposto no tema “The Honour of a Nation”. Desta forma, conseguiram alcançar uma sonoridade Gangrenada. Atrai-me este estilo de Death Metal, muito denso com guitarras saturadas com afinação baixa. O que no caso dos Grangrena encaixou bem na sonoridade desnorteante. Riffs tensos e fechados são por vezes quebrados por acordes rasgados e uns solos singelos. O baixo cola na mistura com preponderância, servindo um martelar intenso e metálico. O baterista é inventivo, criando desenhos apelativos, que quebram os ritmos pesados. A voz é gutural. Nuno Cordeiro prolonga as palavras e os versos em agonia, num vómito nauseante. Essa vociferação é o reflexo de líricas de cariz social, com uma abordagem mais violenta e devastadora em “Nuclear Blast” e uma atitude anti religião no tema “God's Will”. “Total War” inicia em jeito de profecia, anunciando a decadência que se avizinha, com coros cândidos no mosteiro do poder. “Hard Attack” arrisca um refrão onde a voz salta para fora do registo growl arrastado e grita – “No surrender/Always destroy/Disgrace the power/Fuck the Virgin until pain” – É uma afirmação de irreverência antissistema. O álbum começa com uma “Intro” que cria suspense para terminar com uma “Outro” em jeito de despedida, que lamenta o mundo em declínio. Peças orquestradas ou lamentações contrastantes? Obviamente que faltou mais coesão e destreza na execução para uma maior fluidez nas músicas. Fruto da pouca experiência. Ainda assim, o resultado é uma obra categórica do Death Metal Português. Menção para a capa de “Infected Ideologies” da autoria de Jorge Marques, artista e vocalista dos conterrâneos Tarantula. Onde chegará o valor de venda deste disco?


Foto: “DR”


Músicos (que gravaram o álbum)

Walter Mateus - Guitarras

Nuno Cordeiro - Voz

João Ricardo - Guitarras

João Santos - Baixo

Alexandre Oliveira - Bateria



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