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  • Foto do escritorDuarte Dionísio

Bizarra Locomotiva - “Bizarra Locomotiva”

Atualizado: 28 de jan. de 2021

Hemorragias sensoriais

Bizarra Locomotiva - “Bizarra Locomotiva”

Lançamento: 1994

Sonoridade: Industrial Metal, Industrial Rock

Editora: Simbiose, BIO CD 10

Produção: Bizarra Locomotiva e Fernando Cruz

Capa: Luis Carlos – Stolen Art Inc.

Formato: CD

Lista de músicas:

1 - Prólogo

2 - Apêndices

3 - Movimento Em Falso

4 - Druidas

5 - Filhos Do Holocausto

6 - Candelabro Do Amor

7 - C.I.O.

8 - Adormecida Pelo Éter

9 - Dissecações Cutâneas

10 - Ultraviolência

11 - Era De Noite E Levaram

12 - Epílogo: Sobre Os Teus Ombros

Conheci pela primeira vez os Bizarra Locomotiva quando concorreram ao Concurso de Música Moderna de Lisboa no Johnny Guitar, que acabariam por vencer ex aequo com os Kassefazem. Desde logo causaram um enorme impacto pela descarga sonora que produziam. Nunca antes uma banda de apenas dois elementos em palco tinha feito música de cariz Industrial, com pendente Metal em Portugal. Decorria o ano de 1993, um ano depois das bandas americanas Nine Inch Nails e Ministry atingirem sucesso comercial com os seus álbuns a alcançarem os galardões de disco de platina. Talvez influenciados por essas ondas sonoras, os Bizarra davam os primeiros passos de uma carreira que se mantém até à atualidade. Mas foi com o álbum homónimo que se estrearam nas lides discográficas. Para logo de seguida viajarem até França para participarem como “Découvertes” do Festival Printemps de Bourges. Ao vivo passaram a contar com um baterista, o Ernesto Pinto. A intensidade das músicas gravadas no álbum era amplamente suplantada pelas atuações ao vivo. A brutalidade do som das máquinas e programações, que o Armando Teixeira lançava para o sistema de som das salas era recebido pelo Rui Sidónio como injeções de adrenalina. O homem da voz libertava-se em êxtase catártico, pulando constantemente e vociferando poemas letárgicos e rebeldes. A banda era uma máquina portentosa em cima de carris.

“Bizarra Locomotiva” é até hoje um álbum que se demarca dos restantes. A voz cavernosa e ríspida do Rui Sidónio expele mensagens sociopolíticas à mistura com algum erotismo negro. Todo o ambiente do disco é cáustico, exalando aromas de cólera latente. Os poemas em Português parecem ganhar vida, esmorrando o ouvinte sem perdão. Encaixariam muito bem em qualquer álbum de Death Metal. É essa premissa que pode agradar a uma vasta legião de fãs. O instrumental assume as características do som industrial: usando riffs de guitarra (máquinas) rítmicos e repetitivos, samplers, sintetizadores ou sequenciadores, bateria eletrónica programada, não fosse Armando Teixeira um verdadeiro homem das máquinas e da eletrónica musical. A banda de Lisboa soube fabricar uma máquina rolante e devastadora, conseguindo algo único no nosso país. O tema “Adormecida Pelo Éter” acabou por se destacar pela cadência rítmica hipnotizante. De referir a participação de Miguel Fonseca com gravações de guitarra nos temas “Prólogo” e “Dissecações Cutâneas”. Ele que viria a integrar a formação da “Locomotiva” até hoje. Também Nunes da Rocha emprestou a voz no “Epílogo: Sobre Os Teus Ombros”. Para além dos originais, o álbum inclui uma versão de José Afonso do tema “Era De Noite E Levaram”. Este é um álbum para ouvir no caos e na incerteza, ou seja, agora.

Foto: Lina Coelho

Músicos (da esquerda para a direita):

Rui Sidónio - Voz

Armando Teixeira - Maquinaria e programações


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