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  • Foto do escritorDuarte Dionísio

Arya - “Arya”

Atualizado: 27 de jan. de 2021

Muita garra, muito sumo, pouca chuva

Arya - “Arya”

Lançamento: 2004

Sonoridade: Hard Rock

Editora: Recital Records, BOX022

Produção: Miguel Corte-Real

Capa: Lightningboy (foto) e Rui Lopes (design)

Formato: Duplo CD


Lista de músicas:

Disco 1

1 - After the Rain

2 - Go

3 - Fire Road Baby

4 - In Me

5 - In the End

6 - Avant la Mort

7 - Brotherhood

8 - For Love

9 - Mamma

10 - Invisible Fire

11 - You

12 - Express Yourself


Disco 2

1 - Renascerás

2 - O Fogo

3 - Vai

4 - Tu

5 - Se no Fim

6 - Avant la Mort

7 - Essa Dor

8 - Estrada de Fogo

9 - Mamma

10 - Expressa-te

11 - Pequenos Deuses Caseiros


Ao longo de décadas têm surgido, em Portugal, algumas bandas de Hard Rock, a tentar a sorte no mercado nacional da música. São raros os casos de sucesso. Sucesso, na verdadeira acessão da palavra, nenhuma banda atingiu. Há projetos que se mantêm ativos há décadas como os Ferro & Fogo (banda de versões) e Jarojupe. Outros como os Affaire, Tones Of Rock ou Red Lizzard são mais recentes e ainda estão ativos. No entanto, fazer carreira profissional, viver dos lucros gerados pela banda, atingir os tops, realizar extensas digressões parecem apenas miragens. Apesar de tudo isso, há uma esperança inerente ao gosto e empenho em tocar Hard Rock. Um dos exemplos mais interessantes do início deste século foram os Arya. A banda de Aveiro editou três álbuns. “Arya” foi o segundo. O álbum homónimo saiu para a rua em 2004 pela Recital Records em formato CD duplo. O que mais me impressionou nesta banda foi, sem dúvida, a atitude do vocalista Miguel Corte-Real. Uma pessoa eletrizante, enérgica, ideólogo, otimista, com uma resiliência e um crer sem barreiras. Para ele tudo era grandioso. Uma força de um só sentido – o estrelato. Infelizmente há outras energias que se sobrepõem e os Arya não foram além de alguns concertos impactantes e o registo dos três álbuns. A aventura pariu músicos que continuaram a carreira nos Timeless (já extintos), Godvlad também de Aveiro e mais recentemente o baterista Hugo Ribeiro ingressou na formação dos Moonspell.


Quanto ao álbum “Arya” foi uma edição estranha em duplo CD. Mais parece uma compilação de várias gravações do que um álbum de originais. O disco 1 abre com “After The Rain”, uma gravação com menos potência sonora que os restantes temas que se seguem. Por certo, tema gravado noutra ocasião. O disco 2 contém versões cantadas em Português do disco 1, alguns temas do primeiro álbum e encerra com uma versão Punk da música “Pequenos Deuses Caseiros” de Manuel Freire, com poema de Sidónio Muralha. Uma miscelânea de músicas coligidas numa edição com o objetivo de levar a música dos Arya a todos os cantos de Portugal e além-fronteiras. O que a banda propõe é um Hard Rock sortido, aberto, arranhado e até sujo. A produção pouco polida é talvez a responsável pela sensação de uma sonoridade de garagem, para uma banda que almejava os estádios. Os Arya poderiam ser parentes próximos de uns Whitsnake, Bom Jovi, Aerosmith, Guns N’Roses, Skid Row. Guitarras rasgadas, com peso sem perder harmonias cativantes. Baixo bem presente e marcante. Bateria assertiva, a piscar o olho a diferentes géneros. Finalmente, uma voz rasgada, melódica q.b., que não sendo excecional tem um cariz próprio, indo buscar as características reconhecidas de vocalistas como David Coverdale, Steven Tyler e Sebastian Bach.


Musicalmente há de tudo um pouco no diversificado universo do Hard Rock. “Go” soa a Funky, assim como “Mamma”. Temas quase dançáveis, com muito Rock e atitude. “Fire Road Baby” tem um feeling mais Bluesy, o que aliás se sente nas músicas mais calmas. As baladas “For Love” e “Invisible Fire” são músicas bem contruídas, necessitavam de mais refinamento na produção para serem hits radiofónicos. “In Me” conta com a voz de Liliana Alves e parece ser um devaneio histriónico. “Brotherhood”, com uma lírica longa, assume uma vertente quase Rap nas palavras iniciais do Miguel. “Arya” é confuso em termos editorias e de conteúdo, no entanto tem muito sumo de frutas saborosas para ser degustado num bar numa noite de verão ou num estádio a abarrotar, com centenas de fãs femininas em lingerie na frente do palco.


Foto: Paula e João Aça


Músicos (da esquerda para a direita)

Hugo Ribeiro - Bateria

Miguel Corte-Real - Voz

Sérgio Carrinho - Guitarras

Bruno “Beef” Ferreira - Baixo



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